
Grafitar não é estragar, como diziam numa das séries dos "Morangos com açúcar" da TVI, mas será que a mensagem foi recebida?! Duvido, enquanto continuarem a chamar arte a uma aberração feita com latas de tinta á porta das nossas casas, tenho sérias dúvidas de que alguma coisa vá mudar. Na zona onde moro até se dão ao trabalho de de subir aos telhados dos prédios só pelo gosto de fazerem um risco nas chaminés, do meu ponto de vista isso só tem um nome...Falta de respeito pelo espaço dos outros. Eu sou uma pessoa que gosta de pintar mas isso não me leva a pegar em latas de tinta e começar a fazer RISCOS em tudo o que me apetece, eu gosto de apreciar certos grafites, sempre que eles têm algo que se veja e que respeitem o espaço dos outros, até nos alumínios, vidros e nas portas das pessoas deixam um rasto de destruição, há tantos muros onde podem desenhar, para quê estragar!? Suponho que seja pela adrenalina de serem apanhados e poderem fugir, realmente deve dar cá um gozo!! Uma coisa é arriscar-mos o coiro por algo por onde depois passamos e podemos dizer com orgulho: " Aquilo fui eu quem fez !" outra coisa é arriscar-mo-nos por algo que quando lá passa-mos até dizer-mos : " Filhos da mãe, olha-me só para aquela mer..." Giro, não é!?
Quando era pequena tive duas experiências castiças e em ambas achei que estava a ser uma grande artista, na primeira devia de ter uns cinco anos, parece que me estou a ver, peguei num prego e um dos meus primos noutro e dividimos a cabeceira da cama da minha avó ao meio e cada um expressou a sua criatividade como quis, a adrenalina foi quando a minha avó chegou a casa e demonstrou o seu gosto pela obra de arte com o chinelo, aquilo é que foi fugir!! A segunda vez já foi uns anos mais tarde, tinha uns oito anos quando resolvi fazer com os meus primos aquilo que hoje em dia penso que seria a versão infantil da Guernica do Pablo Picasso. Cada um pegou no seu pedaço de carvão, fomos ao muro branquinho da vizinha e aquilo é que foi pintar até ser-mos apanhados com a mão no carvão, tava lindo e como se não bastasse ainda escreve-mos umas obsescenidades próprias da altura. Estive-mos uma tarde inteira a lavar o muro e não saiu, tive-mos de o pintar.
Resultou, nunca mais me dediquei a esse tipo de aventuras e gostava que as pessoas que grafitam tivessem o mínimo de consciência porque a tinta das latas não sai, já assisti a um senhor a esfregar um pedaço de parede com diluente e ele desistiu, estava á horas naquilo e pouco ou nada conseguiu tirar e quem se dá ao trabalho de pintar a fachada da casa de novo, também costuma apanhar desilusões porque, normalmente, fica a notar-se mesmo depois de pintado. Com isto tudo só quero dizer duas palavras: " HAJA CONSCIÊNCIA!! "
Grafitar não tem de significar estragar!
2 comentários:
Muito bem! Gostei do texto!
Em especial porque tenho um rapaz que já passou por essa fase... e vi-me "grega" para lhes ( a ele e aos amigoa) tirar o vício do corpo.
Pintar ou desenhar não é estragar o espaço dos outros, e existem muitos sítios onde o podem fazer e demonstrar a verdadeira arte do Grafismo.
Grata pela visita ao meu blogue.
Bj
Bem... Concordo que grafitar não é estragar, pois onde eu moro um grupo de rapazes aproveitou um muro cinzento, sem vida para lhe dar alguma alegria. No entanto, mesmo ao lado alguém, duvido que tenha sido o mesmo grupo de jovens, fez rabiscos estragando a "obra de arte" que lá estava.
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