domingo, 3 de agosto de 2008

Dramas da vida



Em tempos, trabalhei com um rapaz que estava a construir uma moradia que pretendia estrear no Natal, casado e com duas filhas de oito e três anos, aparentemente pareciam pessoas felizes.
Na festa de Natal da empresa lá estavam os quatro, a mais velha era muito inteligente e a mais pequena parecia um anjo de bonito que era o seu rosto...falá-mos convive-mos e eis que na 2ª feira seguinte era dia de voltar ao trabalho pois nas empresas, normalmente, fazem a festa mais ou menos uma a duas semanas antes do Natal e naquele ano tinha calhado fazerem-na no fim-de-semana anterior, estava-mos no turno da tarde e este até estava a correr bem, havia uma colega que tinha assado um leitão no forno a lenha para o nosso jantar e, o pessoal andava animado pois, nos dois dias que se seguiam eram para estar em casa. Quase a chegar a hora de jantar o nosso colega recebeu um telefonema, a mulher tinha tido um acidente com as filhas dentro do carro, os momentos que se seguiram foram de uma aflição inexplicável, á medida que tínhamos noticias mais dramática se tornava a situação... as crianças tiveram morte imediata provocada pelo chamado " efeito chicote" estavam a dormir, o corpo foi sacudido e o pescoço partiu a mãe foi hospitalizada com uma perna bastante lesionada porque ficou entalada no carro e teve de ser desencarcerada. Era dia 23 de Dezembro, a casa estava lá para ser estreada, as prendas debaixo da árvore e uma família completamente mutilada. Soube-se, mais tarde, que a mãe adormeceu ao volante e deixou o carro seguir a direito numa curva indo este embater numa rocha, no dia 26 foi o funeral havia tanta gente... o pai estava um " trapo" quase nem o reconheci e no meio de toda a dor, que só ele e quem passa por situações dessas pode avaliar, ainda me chamou a alcunha que me deu deu no trabalho no meio de todas aquelas lágrimas. A mulher estava internada no hospital não pôde ir ao funeral por isso pediu que fossem tiradas fotos ao rosto das filhas no caixão para que ela pudesse vê-las uma última vez, o pedido foi chocante para os presentes mas foi a maneira que ela encontrou de se despedir.
Passado um ano e pouco, ela soube que estava grávida e deu á luz uma menina que baptizou com o nome da mais velha que falecera, não foi uma maneira de a substituir mas sim de tentar aliviar a dor. Deixei de os ver porque mudei de distrito, mas acredito que ainda vão conseguir ser, de alguma maneira, felizes!!

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