segunda-feira, 4 de outubro de 2010

O meu bolo de anos


Quando era pequena os recursos lá por casa eram muito escassos, chegámos a ser doze crianças para os meus avós vestirem, calçarem, alimentarem...enfim, tinham tudo por conta deles e como é de calcular aquilo parecia uma selva. Os mais velhos tomavam conta dos mais novos, as idades iam dos dois até aos dezasseis anos numa mistura de rapazes e raparigas, na hora de dormir chegavam a deitar-se quatro na mesma cama com a cabeça para os pés e por aí em diante. Haviam guerras, brigas, cabeças partidas e o resto dá para calcular. No meio de tudo isto acabei por ter apenas duas festas de anos durante a minha infância pois só se podiam realizar quando os meus avós estavam mais desafogados lá por casa, ou seja, era só eu e eles. Acho que, no fundo, isso até me fez bem porque com a acessibilidades que as pessoas têm hoje em dia acabam por não dar valor a nada e deste jeito ainda parece que vejo aqueles dois bolos de anos á minha frente. O primeiro foi quando tinha seis anos, os estrumpfes estavam na moda e então a minha avó mandou fazer um bolo alusivo ao tema com árvores feitas de cones de gelado e coisas do género, estava lindo! Apesar de não ter tido prendas, aquele bolo preencheu-me para o resto da vida pois nunca o esquecerei. O outro era mais simples e eu fazia nove anos, era de doce de ovos com uma rosa no meio mas sei que intenção foi a melhor e por isso adorei como se de um bolo com uma barbie, ou algo assim, se tratasse. Hoje em dia não abdico de uma festa de anos para os meus filhos e faço questão de escolher um bolo com um tema que eles gostem, sei que eles nunca se irão lembrar de todos os bolos que tiveram mas ao menos nunca se vão poder queixar de não os terem tido. Felizmente mudam-se os tempos...

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