
Durante os anos que já vivi assisti a várias maneiras de eliminar o lixo que produzimos. Até, mais ou menos, aos oito anos o lixo era queimado numa espécie de tanque grande e as cinzas eram, posteriormente, espalhadas pelas terras de cultivo para contribuir na fertilização das mesmas. Basicamente tudo o que comíamos era cultivado e criado pelos meus avós, a terra era lavrada pelas chamadas “ mulas” que, para além disso, também a fertilizavam naturalmente, puxavam a água do poço ao andarem á roda na “nora” e ainda serviam como meio de transporte pois elas é que puxavam a carroça. Posso dizer que nessa altura a pegada ecológica era mínima.
Acabados os bons ares do campo, passámos a despejar o lixo no contentores e a comprar o que comíamos, isto no tempo em que ainda não se usavam sacos de plástico com o lixo lá dentro e o mesmo era despejado directamente do balde para o contentor, o cheiro era nauseabundo mas ainda se evitava a produção de sacos de plástico em massa, ou seja, a moda ainda não tinha chegado cá. A minha avó ia às compras com a chamada alcofa e as coisas eram embrulhadas num tipo de papel que penso que fosse reciclado, pelo menos a cor assim fazia parecer.Com o passar dos anos veio a moda dos sacos de plástico á borla e foi o descalabro total! Gastam-se imensos recursos energéticos só para produzir uma coisa que vai acabar enterrada debaixo de escombros de terra. Com o hábito que todos nós temos de enviar o saquinho como acompanhante do nosso lixo orgânico, o mesmo acaba por nem poder ser reciclado e são necessários cerca de 40 anos para que a terra o consiga degradar na totalidade. Esse continua a ser um passo que ainda não consegui dar, a ideia de começarmos todos a deitar o lixo directamente no contentor deixa-me sem comentários, apesar de saber ser algo que mais cedo ou mais tarde se vai tornar imprescindível.
Resumindo, o Planeta é a casa de todos nós e todos temos de cuidar dele! Uma alteração nos nossos hábitos diários, por mais pequena que fosse, somada a milhões de pessoas tornar-se-ia em algo gigantesco que, talvez, fosse um pequeno grande passo para reverter as atrocidades que todos temos vindo a cometer ao longo da nossa existência.
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