quarta-feira, 19 de abril de 2023

21 de Março de 2017

Amanhã,faz mais um ano, desde que me deixaste. É o aniversário daquele dia em que eu estava no meu trabalho e, recebo um telefonema do hospital...eu fui a correr pra lá, como sempre fiz...eram 11 horas e pouco quando lá cheguei...A minha avó ainda estava viva, iam dar-lhe banho e, eu pedi para ser eu a faze- lo... Fi-lo com todo o amor e carinho que alguém pode ter...a minha avó estava totalmente entubada, demorei cerca de 40 minutos a fazê-lo... Notava-se que a minha avó estava em sofrimento... Após o banho, vesti-lhe a roupa do hospital e sentei- me na sua cama e, coloquei-a em cima de mim... Lembro-me de pedir a enfermeira que lá estava de serviço, para lhe dar alguma coisa para as dores e, a enfermeira, assim o fez, pedi-lhe também para que lhe retirarem todos os tubos. Eu, graças ao facto de já ter trabalhado no hospital, fiquei num divisão sozinha consigo... apenas me foi solicitado que avisasse quando já tivesse acontecido... Faltavam cinco minutos, para as 14 horas e, eu percebi que estava na hora... você ficou a olhar pra mim fixamente e eu disse- lhe , "avó, as pessoas que não quer ver devem de estar a chegar... se quiser partir agora, pode faze- lo...eu fico bem"...e, assim foi, faltavam 3 minutos para as 14horas, foi a hora em que partiu e eu,fechei lhe os olhos... Eu fiquei a chorar algum tempo agarrada a si, a tentar que ninguém percebesse... Fiquei assim quase 20 minutos, na realidade eu não a queria largar... Quando ganhei força, levantei -me da sua cama, pousei-a na mesma, com toda a delicadeza...sequei as lágrimas, beijei-a e, fui ter com a enfermeira e disse só, já está... não consegui dizer mais nada mas, quando estava a chegar á porta da saída da urgência já não aguentei...ajoelhei- me no chão a chorar... quem me tirou de lá foi o segurança que, me levantou, perguntou se eu queria que chamasse alguém mas, nesse momento eu percebi que, não havia mais ninguém, eu estava ali sozinha...mais ninguém se deu ao trabalho de se vir despedir... ninguém... ... É uma dor indescritível...

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