sábado, 29 de abril de 2023

Um mistério que prevalece quase intacto

Houve tempos em que pensei que aquilo que se ouvia sobre o cérebro bloquear memórias, não passava de mais uma teoria sem base fundamentada, até ao dia em que me aconteceu.
Em 2003, estava reclusa de um casamento infernal, a tentar desesperadamente fugir e conseguir o divórcio quando, mais uma vez na vida, entrei em desespero. Sem olhar a mais nada, ingeri uma quantidade (que pensava ser mortal) de um medicamento. Com o passar das horas quis sair de casa, peguei no carro e comecei a percorrer as terras circundantes,, estava de volta a casa quando entrei em despiste, do qual ainda não lembro nada, desfiz o carro todo e eu fiquei intacta. Estava completamente drogada com o excesso de medicação, ainda hoje só tenho flashes do que se seguiu, várias foras as pessoas que pararam e foram ao pé do carro, por incrível que pareça, eu estava semi-inconsciente e ninguém se deu ao trabalho de chamar uma ambulância, a policia, o que fosse. A dada altura recordo-me de ver uma colega minha de trabalho que me queria levar dali mas alguém se ofereceu para o fazer e ela consentiu. Até há pouco tempo, não tinha ideia nenhuma do que aconteceu a seguir, só sabia que havia muita coisa por explicar mas existem coisas que começaram a ficar mais nítidas. Comecei e continuo a ter flashes sobre o que se passou naquelas horas, eu fui violada. A pessoa que se ofereceu para me levar a casa, levou-me para uma zona de mato violou-me, do acto em si só me recordei da respiração e de algumas frases proferidas, espero nunca recordar o resto, quando acabou deixou-me ao cimo da povoação onde morava semi-nua, fui encontrada de manhã numa valeta por um vizinho que passava, durante tempo demais tudo isso foi um mistério... Eu recentemente lembrei-me de quem foi. Para apresentar queixa, já vou com uns anos de atraso, para lhe dar uma surra e fazer-lhe o que me fez, sou demasiado humana, então optei por lhe ligar para o local de trabalho e dizer-lhe apenas isto: " Lembras-te do acidente em que levaste uma rapariga a casa? Pois olha, eu lembrei-me de tudo!". Sei que não é maneira de fazer justiça mas tenho a certeza de que depois desse dia ele começou a ter medo porque percebeu que tinha sido apanhado, senti-o na sua voz... Resumindo, quem é que no seu perfeito juízo vê um acidente e não chama socorro e como é que um gajo pode estar tão, nem sei que termo aplicar, que tem coragem de violar uma pessoa quase morta?! Isto tudo faz-me muita confusão.

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