No primeiro aniversário, nós morávamos em Oliveira de Frades, zona para onde fui obrigada a mudar-me, eu trabalhava como quarteleira, nos bombeiros e, no café ao lado, encomendei um bolo de anos. Como eu, não podia sair do quartel, dei o dinheiro ao meu ex marido, o pai dele, para que o mesmo fosse levantar o bolo e paga-lo e, em vez disso, ele usou o dinheiro para se embebedar, trouxe o bolo, bêbado e, uns tempos depois, foi ao mesmo café comprar pão e, recusaram-se a vender porque, naquele café, já havia uma dúvida superior a 30 contos, com o bolo incluído! Eu, acabei por fazer um acordo com o dono do café e, todos os meses, ia amortizando a dívida. É óbvio, que el ficou proibido de consumir o que quer que seja nesse café.
O meu filho foi crescendo e, andava sempre a inventar histórias,para que o pai se virasse contra mim... houve um dia, em que já não viviamos no quartel e, eu saí dois, três minutos para ir comprar pão, no café que ficava ai lado de casa e, deixei- o a brincar no quarto dele enquanto lá fui e,quando o pai chegou a casa, o meu filho acusou-me de o ter deixado fechado em casa sozinho e, de ter demorado montes de tempo ali e que ele ficou sozinho, sem mais ninguém... escusado será dizer que levei uma tareia e, o irónico nessa história, é que o pão era pra eles, ele tinha uns 3 anos, na altura. Com o passar dos anos, houve mais histórias desse gênero...
Quando ele tinha uns cinco anos, eu fuji de casa e, com muito sacrifício, arranjei uma casa e, pedi o divórcio nessa altura.
O dinheiro mudou e passou do escudo para o euro. Eu pagava de renda 300€ e do meu ordenado sobravam, apenas, 30€. Esse era o dinheiro com que ficava para me alimentar um mês inteiro.

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