quarta-feira, 6 de setembro de 2023

A morte do meu avô...

O meu avô,  faleceu no dia 14 de Outubro de 1995, faleceu devido a um tumor nos pulmões que, alastrou rapidamente para os outros órgãos. 
 O meu avô não gostava de ir ao médico aliás,  detestava, desde que o conheci, nunca o tinha visto ir a um médico sequer.  Ele era muito reservado, nasceu em 1920 e tal, era de uma era completamente diferente. 
 Quando se viu obrigado a ir a um médico, foi automaticamente reencaminhado para o internamento no hospital. Isso era muito difícil para ele e, quando recebeu a notícia do que tinha ao certo aceitou , ir de imediato, para tratamento no IPO de lisboa.
 O tratamento era muito agressivo e, ele acabou por aguentar só cerca de 3 meses, a doença evoluiu muito depressa e, o facto de não ser detectado a tempo,  não ajudou nada.
 Ele acabou por ser reencaminhado para casa pois,  já não havia nada a fazer. A dada altura, ele deixou de conseguir comer e eu comecei a fazer-lhe gelatina mas, ele tinha tanta fome que, nem deixava a mesma soldificar, ele bebia-a, como se fosse água.  
 Ele perdeu imenso peso, emagreceu tanto que, parecia uma tábua e, na véspera do seu falecimento piorou bastante e, como era um doente oncológico, não foi para o hospital, ficou no centro de saúde  numa espécie de área hospitalar. 
 No dia seguinte,  quando o fui visitar, ele já não estava totalmente lúcido, apesar de me ter reconhecido automaticamente.  Eu, era a Xaninha dele e, foi assim que sempre me tratou, ele estava um pouco aflito, não conseguia respirar muito bem e isso, complicava ainda mais a sua situação mas, conseguiu dizer-me que ia descansado porque sabia que eu já estava bem entregue...tadinho, mal sabia ele...
 Nas ultimas palavras que disse, já não eram um discurso conciso, " TANTOS BICHOS!!" Dizia ele a olhar para a parede, "Tantos bichos, eles tão há minha espera!! Eu não quero ir!! Tantos bichos!!" Depois de uns minutos de lucidez completa, estas foram as suas últimas palavras. Acabou a hora da visita e eu, foi convidada a sair mas, antes, ainda reclamei com as enfermeiras porque o meu avô estava , aparentemente,  com oxigénio mas, o mesmo estava desligado.  Eu acabei mesmo, por ser "obrigada" a sair, porque constactei um facto! 
 Na hora seguinte, recebi a pior notícia que alguém poderia receber, ele faleceu.  Perdi assim, o meu melhor amigo,  o meu protector,  o meu anjo da guarda...

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